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Resumo de Livro: Foco

Você já notou o excesso de informações que temos hoje em dia? É muito fácil perdermos a concentração e o foco nas atividades que realmente são importantes para a nossa vida pessoal e profissional. Buscamos o tempo todo o novo, não conseguimos nos desligar do nosso celular, de dar uma olhadinha no Facebook ou no WhatsApp.

Devo confessar que o início da leitura deste livro não foi fácil, após alguns capítulos me vi enrolando para continuar, tudo me chamava mais a atenção do que esta leitura. Há partes do livro que realmente ficam desgastantes, mas a recompensa vale a pena.

Basicamente o autor explica sobre os tipos de atenção que se formam em nossa mente: a atenção superior, e a atenção inferior.

A primeira é analítica, devagar, examina as opções antes de dar uma resposta, opera de “cima para baixo” (sistema descendente), situando-se no córtex pré-frontal de nosso cérebro. É o que nos diferencia das demais espécies animais, é a possibilidade de pensar a longo prazo, de ponderar situações e de escolher a mais adequada às nossas circunstâncias, tendo se desenvolvido somente “de alguns milhares de anos para cá”. Trabalhamos com a atenção superior (atenção ativa) ao planejarmos, por exemplo, nossos planos de aposentadoria financeira.

Já a segunda é intuitiva, rápida, age em questão de segundos, operando “de baixo para cima” (sistema ascendente), e foi o produto de milhões de anos de evolução da espécie humana. Os movimentos são quase automáticos: agimos sem pensar muito. Pense, por exemplo, na reação de fuga que você tem ao sentir que um perigo está se aproximando. A atenção inferior (atenção passiva) é a responsável por executar esse tipo de comportamento.

Esses dois sistemas repartem entre si as tarefas mentais para que consigamos fazer o mínimo de esforço com o máximo de resultados ótimos.

Para melhorar a capacidade de atenção de nosso cérebro, precisamos desenvolvê-la como se fosse um músculo, diz Goleman. Assim como músculos exercitados expandem sua força e aumentam sua capacidade de resistência, o cérebro também aperfeiçoa sua capacidade de desempenho, foco e atenção à medida em que é treinado. Porém, o treinamento do foco deve ser acompanhado da respectiva pausa. É preciso alternar entre os momentos de atenção ativa e atenção passiva. Momentos de descanso são necessários.

Por padrão, o cérebro opera no modo “à deriva”, ou seja, não conseguimos manter a atenção ativa na maior parte de nossas vidas. O autor explica que isso não necessariamente é ruim:

“Entre as outras funções positivas da divagação da mente estão a geração de cenários para o futuro, a autorreflexão, a capacidade de se relacionar em um mundo social complexo, a incubação de ideias criativas, a flexibilidade de foco, a ponderação do que se está aprendendo, a organização das lembranças ou a mera meditação sobre a vida – e também a possibilidade de dar aos nossos circuitos uma pausa revigorante. Uma reflexão momentânea me leva a acrescentar mais duas funções: a de me lembrar de coisas que preciso fazer para que elas não se percam na desordem da mente e a de me entreter”.

Uma parte que me chamou atenção foi a de uma pesquisa feita com crianças numa cidade da Nova Zelândia chamada Dunedin, cujas conclusões foram relevadoras: os níveis de autocontrole de uma criança são um indicador de sucesso financeiro e de sua saúde na idade adulta tão forte quanto a classe social, a riqueza da família de origem ou o QI.

Devemos ensinar as crianças a aprenderem a adiar a gratificação (“se você não comer esse biscoito agora, daqui a 15 minutos ganhará outro”, essa passagem do livro é sobre o famoso teste do marshmallow), e elas terão muito maior probabilidade de terem êxito na vida adulta delas, mais até do que eventual QI superior à média, ou heranças generosas.

Outra parte que achei interessante foi a que o autor faz uma crítica à tese das 10 mil horas de Malcolm Gladwell, do livro Fora de Série: Outliers.

Em seu livro Gladwell afirma, baseado em estudos, que para atingirmos um nível de expert são necessárias pelo menos 10 mil horas de prática, o que equivale a cerca de três horas por dia, ou 20 horas por semana, de treinamento, durante 10 anos. No livro FOCO, o autor diz que isso é apenas uma meia-verdade, e, baseado nos estudos mais profundos das pesquisas do livro de Gladwell, concluiu que seria preciso mais do que isso: seria indispensável praticar de forma inteligente, e não puramente mecânica, adotando um “treino deliberado”, ou seja, realizado com o apoio de um treinador especialista, com um esquema de feedback que permita reconhecer erros e corrigi-los.

Dessa forma, só as horas não contam – importam também o feedback e a concentração total. Achei essa parte do livro particularmente interessante:

“Quem está no topo nunca para de aprender: se em algum momento começam a relaxar e abandonam esse treino inteligente, passam a jogar com o circuito ascendente [de baixo para cima, automatizando suas rotinas de trabalho, pense em alguém que fica satisfeito ao conseguir executar os movimentos básicos de um jogo de tênis] e suas habilidades se estabilizam. O especialista contraria ativamente as tendências ao automatismo, construindo e buscando deliberadamente treinamentos nos quais a meta estabelecida excede seus níveis atuais de desempenho. Quanto mais tempo o especialista consegue investir no treino deliberado com concentração total, mais desenvolvido e refinado será seu desempenho. A atenção focada, como um músculo trabalhado, se cansa. Ericsson (livro Fora de Série) descobriu que competidores de nível mundial tendem a limitar o treino pesado a cerca de quatro horas por dia”.

Em resumo, o livro é sim interessante, vale sim a leitura!!!

Título: Foco
Autor: Daniel Goleman
Editora: Objetivo
Páginas: 296
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